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segunda-feira, 21 de maio de 2012

A Família de Jesus


A Família de Jesus 
 A descoberta de um complexo funerário que quase com certeza absoluta é o da família de Jesus de Nazaré espantou o mundo. Embora religiosos tentem a todo o momento desacreditar a descoberta, segundo estatísticos históricos a chance da tumba onde foram encontrados os ossuários não ser da família de Jesus é de uma em trinta milhões.
O complexo é composto de ossuários do pai, dos irmãos e do próprio Jesus, além de seu filho e o de sua esposa Maria Madalena. Os ossuários eram caixas individuais onde se colocavam os ossos do morto. Era costume da época colocar os mesmos lado a lado no sepulcro familiar, quase sempre uma caverna ou fenda em rocha subterrânea. Os Hebreus antigos também colocavam em um mesmo ossuário, quando necessário, os ossos dos irmãos (menino e menina) ou do casal (marido e mulher).
Você deve estar espantado por estar lendo o que já foi dito no filme O Código da Vinci, mas é isso mesmo: ao que parece, Jesus era casado com Maria Madalena. Vestígios de ossos e de invólucros corporais dos dois foram encontrados em um mesmo ossuário. E a mulher que estava no ossuário com Jesus não era sua irmã, como testes de DNA revelaram, o que prova que só poderia ser sua esposa.
O ossuário do que parece ter sido o filho de Jesus também foi encontrado. Seu nome era Judá. Os pesquisadores desconfiam que após a morte de Jesus, os romanos tenham mandado matar o descendente dele, que estaria com cerca de sete anos de idade. Era prática dos romanos, em caso de matarem um rei ou pretendente à realeza inimigo, também assassinarem seus descendentes masculinos diretos. Como a acusação contra Jesus seria na época a de que Ele se auto-proclamara Rei, isso não é nem um pouco estranho.
O desespero de inúmeros sacerdotes cristãos com a descoberta é compreensível. Afinal, por anos defendeu-se a idéia de que Jesus havia ressuscitado dos mortos com o corpo físico, uma idéia logicamente absurda, mas que tinha antecedentes em uma cultura religiosa que acreditava que Elias havia ido para os céus fisicamente. Vale lembrar, porém, que a idéia da ressurreição do corpo era considerada absurda entre muitos judeus antigos, como era o caso dos saduceus.
O fato de que Jesus não teria se casado e muito menos tido filhos é uma idéia que vem da tradição medieval. Não há nada nos evangelhos que indique isso. Pelo contrário: ali, Maria Madalena aparece como uma mulher especial aos olhos de Jesus. A demonização do sexo começa com Paulo, que não viu Jesus em vida. Ela ganha corpo com Santo Agostinho, no século V depois de Cristo.

Talvez por isso, uma estranha e errada idéia de que Maria Madalena seria prostituta se disseminou pelo cristianismo até os dias de hoje. Na verdade, a prostituição não era proibida entre os antigos hebreus. Há várias passagens nas escrituras que falam de práticas de prostituição. Sabe-se que o cristão José de Arimatéia, por exemplo, era um frequentador de prostíbulos. Logo, Maria Madalena havia sido acusada da prática de adultério e não de praticar a prostituição. Havia um mar de denúncias injustas sobre a prática de adultério feminino na época. Bastava a esposa não sangrar na primeira relação sexual que tivesse com seu marido que a mesma já era passível de apedrejamento. É bem provável que Maria Madalena tenha sido desprezada pelo marido injustamente e passado a viver com Jesus na casa de sua mãe, Maria de Nazaré, onde ali tiveram um filho.

A descoberta do sepulcro familiar de Jesus também prova antigas desconfianças dos historiadores com relação à Sua classe social. José, seu pai, era provavelmente um artesão de classe média, que teria casa e sepulcro familiar em Jerusalém. Um bom artesão na antigüidade poderia ser um homem bem sucedido financeiramente. Provavelmente, foi por isso que José deu à Jesus um ensino formal privado, o que só era possível a quem tivesse um mínimo de posses. Jesus era capaz de discutir as escrituras com os fariseus, o que só um homem letrado faria.

A arqueologia, assim, faz emergir um novo Jesus, muito mais humano e histórico do que aquele que os religiosos inventaram. Um Jesus de classe média, intelectualizado, casado, com filho, e nem por isso um acomodado, mas um insurgente contra as injustiças do mundo, contra a exploração religiosa, política e econômica dos sacerdotes e poderosos de sua época. Enfim, um Jesus ainda mais fascinante do que aquele que tentaram nos empurrar goela abaixo durante quase dois mil anos.

Autor :  Pb.Paulo Cristiano

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