A Família de Jesus
A descoberta de um
complexo funerário que quase com certeza absoluta é o da família de Jesus de
Nazaré espantou o mundo. Embora religiosos tentem a todo o momento desacreditar
a descoberta, segundo estatísticos históricos a chance da tumba onde foram encontrados
os ossuários não ser da família de Jesus é de uma em trinta milhões.
O complexo é composto de ossuários do pai, dos irmãos e do
próprio Jesus, além de seu filho e o de sua esposa Maria Madalena. Os ossuários
eram caixas individuais onde se colocavam os ossos do morto. Era costume da
época colocar os mesmos lado a lado no sepulcro familiar, quase sempre uma
caverna ou fenda em rocha subterrânea. Os Hebreus antigos também colocavam em
um mesmo ossuário, quando necessário, os ossos dos irmãos (menino e menina) ou
do casal (marido e mulher).
Você deve estar espantado por estar lendo o que já foi dito
no filme O Código da Vinci, mas é isso mesmo: ao que parece, Jesus era casado
com Maria Madalena. Vestígios de ossos e de invólucros corporais dos dois foram
encontrados em um mesmo ossuário. E a mulher que estava no ossuário com Jesus
não era sua irmã, como testes de DNA revelaram, o que prova que só poderia ser
sua esposa.
O ossuário do que parece ter sido o filho de Jesus também
foi encontrado. Seu nome era Judá. Os pesquisadores desconfiam que após a morte
de Jesus, os romanos tenham mandado matar o descendente dele, que estaria com
cerca de sete anos de idade. Era prática dos romanos, em caso de matarem um rei
ou pretendente à realeza inimigo, também assassinarem seus descendentes
masculinos diretos. Como a acusação contra Jesus seria na época a de que Ele se
auto-proclamara Rei, isso não é nem um pouco estranho.
O desespero de inúmeros sacerdotes cristãos com a descoberta
é compreensível. Afinal, por anos defendeu-se a idéia de que Jesus havia
ressuscitado dos mortos com o corpo físico, uma idéia logicamente absurda, mas
que tinha antecedentes em uma cultura religiosa que acreditava que Elias havia
ido para os céus fisicamente. Vale lembrar, porém, que a idéia da ressurreição
do corpo era considerada absurda entre muitos judeus antigos, como era o caso
dos saduceus.
O fato de que Jesus não teria se casado e muito menos tido
filhos é uma idéia que vem da tradição medieval. Não há nada nos evangelhos que
indique isso. Pelo contrário: ali, Maria Madalena aparece como uma mulher
especial aos olhos de Jesus. A demonização do sexo começa com Paulo, que não
viu Jesus em vida. Ela ganha corpo com Santo Agostinho, no século V depois de
Cristo.
Talvez por isso, uma estranha e errada idéia de que Maria
Madalena seria prostituta se disseminou pelo cristianismo até os dias de hoje.
Na verdade, a prostituição não era proibida entre os antigos hebreus. Há várias
passagens nas escrituras que falam de práticas de prostituição. Sabe-se que o
cristão José de Arimatéia, por exemplo, era um frequentador de prostíbulos.
Logo, Maria Madalena havia sido acusada da prática de adultério e não de
praticar a prostituição. Havia um mar de denúncias injustas sobre a prática de
adultério feminino na época. Bastava a esposa não sangrar na primeira relação
sexual que tivesse com seu marido que a mesma já era passível de apedrejamento.
É bem provável que Maria Madalena tenha sido desprezada pelo marido
injustamente e passado a viver com Jesus na casa de sua mãe, Maria de Nazaré,
onde ali tiveram um filho.
A descoberta do sepulcro familiar de Jesus também prova
antigas desconfianças dos historiadores com relação à Sua classe social. José,
seu pai, era provavelmente um artesão de classe média, que teria casa e
sepulcro familiar em Jerusalém. Um bom artesão na antigüidade poderia ser um
homem bem sucedido financeiramente. Provavelmente, foi por isso que José deu à
Jesus um ensino formal privado, o que só era possível a quem tivesse um mínimo de
posses. Jesus era capaz de discutir as escrituras com os fariseus, o que só um
homem letrado faria.
A arqueologia, assim, faz emergir um novo Jesus, muito mais
humano e histórico do que aquele que os religiosos inventaram. Um Jesus de
classe média, intelectualizado, casado, com filho, e nem por isso um acomodado,
mas um insurgente contra as injustiças do mundo, contra a exploração religiosa,
política e econômica dos sacerdotes e poderosos de sua época. Enfim, um Jesus
ainda mais fascinante do que aquele que tentaram nos empurrar goela abaixo
durante quase dois mil anos.
Autor : Pb.Paulo
Cristiano
Nenhum comentário:
Postar um comentário