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segunda-feira, 21 de maio de 2012

A tradição da Galiléia


A tradição da Galiléia

Entre Jerusalém e a Galiléia existe uma distância de somente 120 km. Não muito distante para um profeta itinerante viajar, especialmente se acompanhado de um grupo de seguidores. A jornada poderia ser realizada confortavelmente em poucos dias. Mas em toda a literatura da Tradição de Jerusalém não se encontra nenhuma menção de Jesus ter feito esta jornada. Antes dos Evangelhos terem sidos adotados como história, nenhum texto jamais menciona ele ter ido a Jerusalém.

Na Galiléia havia um movimento que pregava o reino de Deus. Uma importante parte desse relato está no antigo e perdido documento "Q", que foi extraído por estudiosos modernos dos evangelhos de Mateus e Lucas, e que também aparece no Evangelho de Tomé. No momento em que a coleção de ditos e contos do documento Q foram incluídos aos evangelhos por Mateus e Lucas em cima do texto do Evangelho de Marcos, referências a uma figura que originou os ditos e contos, fazedor de milagres e profeta apocalíptico podiam ser encontrados naquela coleção do Q. Se essa figura era chamada de Jesus é impossível dizer. O próprio documento Q sofreu uma evolução. Pode-se mostrar que o documento Q contém camadas de materiais diferentes, que aparentemente foram adicionados ao documento de tempos em tempos, e assim presume-se que o documento passou por revisões.

O quebra-cabeça de Jesus: os 12 fatos que minam o Novo Testamento
1 - Jesus de Nazaré e a história do Evangelho não são encontrados em escritos cristãos anteriores aos evangelhos, e o primeiro deles (Marcos) foi escrito somente no final do primeiro século.

2 - Não existe nenhum texto não-cristão sobre Jesus de antes do século 2. As referências de Flavius Josephus (final do primeiro século) podem ser descartadas como falsificação posteriormente inseridas por cristãos.

3 - As primeiras epístolas, como as de Paulo e dos Hebreus, falam de Cristo como um ser espiritual, revelado por Deus pelas escrituras, e não se referem a ele como um homem que tenha vivido há pouco tempo antes. Paulo é parte de um novo movimento de "salvação" e age baseado em "revelações" recebidas do Espírito.

4 - Paulo e outros primeiros escritores puseram a morte e ressurreição do seu Cristo no mundo mítico/sobrenatural, e derivam suas informações sobre esses eventos, da mesma maneira que outras informações do seu Cristo espiritual, das próprias escrituras.

5 - Os antigos viam o universo como sendo dividido em camadas, matéria abaixo e espírito acima. O mundo mais alto era considerado superior, a realidade genuína, contento processos espirituais e equivalentes espirituais às coisas terrenas. O Cristo de Paulo opera dentro desse sistema espiritual.

6 - Os cultos de mistérios pagãos desse período adoravam divindades "salvadoras", as quais também tinham realizado atos de salvação que ocorriam do mundo mítico/sobrenatural, não na terra ou na História. O Cristo de Paulo divide muitas características com estas divindades.

7 - O conceito religioso-filosófico proeminente da época era o do Filho que intermediava, um canal espiritual entre o Deus máximo transcendental e a humanidade. Tais conceitos de intermediação como o Logos Grego, e Sabedoria Judaica foram modelos para o Cristo espiritual de Paulo.

8 - Todos os evangelhos derivam sua história básica de Jesus de Nazaré de uma fonte: o Evangelho de Marcos, seja lá quem for o seu autor. Os Atos dos Apóstolos, um relato do começo do movimento cristão apostólico, é um mito inventado no segundo século.

9 - Os evangelhos não são relatos históricos, ele são construídos através do processo de "midrash", um método judeu de retrabalho de passagens bíblicas antigas e contos para refletir novas crenças. A história do julgamento de Jesus e crucificação é uma colagem de versos das escrituras.

10 - O documento "Q", uma coleção perdida de dizeres extraída de Mateus e Lucas, não faz referência à morte e ressurreição e pode ser demonstrado que não teve Jesus na sua origem, origem que era definitivamente não-judaicas. A comunidade "Q" pregava o reino de Deus, e suas tradições foram posteriormente atribuídas a um fundador inventado, o qual era ligado ao Jesus espiritual de Paulo no Evangelho de Marcos.

11 - As primeiras variações de Seitas e Crenças sobre um Cristo espiritual mostram que o movimento começa com uma multiplicidade de grupos independentes e espontâneos, baseados na religião e filosofias da época, não como resposta a um indivíduo único.

12 - Mesmo no segundo século, muitos documentos cristãos não contêm ou rejeitam a noção do homem humano como um elemento da sua fé. Apenas gradativamente o Jesus de Nazaré apresentado nos evangelhos chega a ser aceito como histórico.

Referência: "The Jesus Puzzle", Earl Doherty, Age of Reason Publication

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