A tradição da Galiléia
Entre Jerusalém e a Galiléia existe uma distância de somente
120 km. Não muito distante para um profeta itinerante viajar, especialmente se
acompanhado de um grupo de seguidores. A jornada poderia ser realizada
confortavelmente em poucos dias. Mas em toda a literatura da Tradição de
Jerusalém não se encontra nenhuma menção de Jesus ter feito esta jornada. Antes
dos Evangelhos terem sidos adotados como história, nenhum texto jamais menciona
ele ter ido a Jerusalém.
Na Galiléia havia um movimento que pregava o reino de Deus.
Uma importante parte desse relato está no antigo e perdido documento
"Q", que foi extraído por estudiosos modernos dos evangelhos de
Mateus e Lucas, e que também aparece no Evangelho de Tomé. No momento em que a
coleção de ditos e contos do documento Q foram incluídos aos evangelhos por
Mateus e Lucas em cima do texto do Evangelho de Marcos, referências a uma
figura que originou os ditos e contos, fazedor de milagres e profeta
apocalíptico podiam ser encontrados naquela coleção do Q. Se essa figura era
chamada de Jesus é impossível dizer. O próprio documento Q sofreu uma evolução.
Pode-se mostrar que o documento Q contém camadas de materiais diferentes, que
aparentemente foram adicionados ao documento de tempos em tempos, e assim
presume-se que o documento passou por revisões.
O quebra-cabeça de Jesus: os 12 fatos que minam o Novo
Testamento
1 - Jesus de Nazaré e a história do Evangelho não são
encontrados em escritos cristãos anteriores aos evangelhos, e o primeiro deles
(Marcos) foi escrito somente no final do primeiro século.
2 - Não existe nenhum texto não-cristão sobre Jesus de antes
do século 2. As referências de Flavius Josephus (final do primeiro século)
podem ser descartadas como falsificação posteriormente inseridas por cristãos.
3 - As primeiras epístolas, como as de Paulo e dos Hebreus,
falam de Cristo como um ser espiritual, revelado por Deus pelas escrituras, e
não se referem a ele como um homem que tenha vivido há pouco tempo antes. Paulo
é parte de um novo movimento de "salvação" e age baseado em
"revelações" recebidas do Espírito.
4 - Paulo e outros primeiros escritores puseram a morte e
ressurreição do seu Cristo no mundo mítico/sobrenatural, e derivam suas
informações sobre esses eventos, da mesma maneira que outras informações do seu
Cristo espiritual, das próprias escrituras.
5 - Os antigos viam o universo como sendo dividido em
camadas, matéria abaixo e espírito acima. O mundo mais alto era considerado
superior, a realidade genuína, contento processos espirituais e equivalentes
espirituais às coisas terrenas. O Cristo de Paulo opera dentro desse sistema
espiritual.
6 - Os cultos de mistérios pagãos desse período adoravam
divindades "salvadoras", as quais também tinham realizado atos de
salvação que ocorriam do mundo mítico/sobrenatural, não na terra ou na
História. O Cristo de Paulo divide muitas características com estas divindades.
7 - O conceito religioso-filosófico proeminente da época era
o do Filho que intermediava, um canal espiritual entre o Deus máximo transcendental
e a humanidade. Tais conceitos de intermediação como o Logos Grego, e Sabedoria
Judaica foram modelos para o Cristo espiritual de Paulo.
8 - Todos os evangelhos derivam sua história básica de Jesus
de Nazaré de uma fonte: o Evangelho de Marcos, seja lá quem for o seu autor. Os
Atos dos Apóstolos, um relato do começo do movimento cristão apostólico, é um
mito inventado no segundo século.
9 - Os evangelhos não são relatos históricos, ele são
construídos através do processo de "midrash", um método judeu de
retrabalho de passagens bíblicas antigas e contos para refletir novas crenças.
A história do julgamento de Jesus e crucificação é uma colagem de versos das
escrituras.
10 - O documento "Q", uma coleção perdida de
dizeres extraída de Mateus e Lucas, não faz referência à morte e ressurreição e
pode ser demonstrado que não teve Jesus na sua origem, origem que era
definitivamente não-judaicas. A comunidade "Q" pregava o reino de
Deus, e suas tradições foram posteriormente atribuídas a um fundador inventado,
o qual era ligado ao Jesus espiritual de Paulo no Evangelho de Marcos.
11 - As primeiras variações de Seitas e Crenças sobre um
Cristo espiritual mostram que o movimento começa com uma multiplicidade de
grupos independentes e espontâneos, baseados na religião e filosofias da época,
não como resposta a um indivíduo único.
12 - Mesmo no segundo século, muitos documentos cristãos não
contêm ou rejeitam a noção do homem humano como um elemento da sua fé. Apenas
gradativamente o Jesus de Nazaré apresentado nos evangelhos chega a ser aceito
como histórico.
Referência:
"The Jesus Puzzle", Earl Doherty, Age of Reason Publication
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