A NAVALHA DE OCCAM
O método conhecido como "Navalha de Occam"
postula, in nuce, o seguinte: "Não se deve aumentar, além do necessário, o
número de entidades requeridas para explicar qualquer coisa."
A navalha de Occam é um princípio lógico atribuído ao
filósofo medieval William de Occam (ou Ockham). O princípio afirma que não se
deve fazer mais pressuposições do que o mínimo necessário. Este princípio é
amiúde chamado de "princípio da parcimônia". Ele subjaz a toda a criação
de modelos científicos e a construção de teorias. Ele nos adverte para
escolher, dentre um conjunto de modelos equivalentes de um dado fenômeno, o
mais simples. Em qualquer modelo dado, a navalha de Occam nos ajuda a
"barbear" os conceitos, variáveis ou construtos que não sejam
realmente necessários para explicar o fenômeno. Fazendo isso, o desenvolvimento
do modelo tornar-se-á muito mais fácil, e há menos chance de introdução de
inconsistências, ambigüidades e tautologias.
Embora o princípio possa parecer um tanto trivial, ele é
essencial para a construção do modelo devido ao que é conhecido como a
"subdeterminação de teorias por dados". Para um dado conjunto de
observações ou dados, sempre existe um número infinito de modelos possíveis que
expliquem esses mesmos dados. Isso ocorre porque um modelo normalmente
representa um número infinito de casos possíveis, dos quais os casos observados
são apenas um subconjunto finito. Os casos não observados são inferidos
postulando-se regras gerais que abranjam tanto as observações reais quanto as
potenciais.
Por exemplo, através de dois pontos de dados em um diagrama
sempre é possível traçar uma linha reta, e induzir que todas as observações
posteriores recairão sobre essa linha. Entretanto, também é possível traçar uma
variedade infinita das mais complexas curvas passando através desses mesmos
dois pontos, e essas curvas se encaixariam da mesma forma nos dados empíricos.
Apenas a navalha de Occam, neste caso, orientaria a escolha da relação
"reta" (i.é., linear) como melhor candidata ao modelo. Um raciocínio
semelhante pode ser feito para n pontos de dados sobre qualquer tipo de
distribuição.
A navalha de Occam é especialmente importante para modelos
universais como, por exemplo, aqueles desenvolvidos na Teoria Geral dos
Sistemas, na Matemática ou na Filosofia, porque aí o domínio do sujeito possui
complexidade ilimitada. Iniciando-se com alicerces muito complicados para uma
teoria que abranja potencialmente o universo, as chances de obtenção de
qualquer modelo gerenciável são realmente muito pequenas. Além disso, o
princípio é, às vezes, a única diretriz remanescente ao se entrar em domínios
de nível de abstração tão alto que nenhum teste ou observação concreta possa
escolher entre os modelos rivais. Na criação matemática de modelos de sistemas,
o princípio pode ser tornado mais concreto na forma do princípio da maximização
da incerteza: a partir dos seus dados, induza o modelo que minimize o número de
pressuposições adicionais.
Este princípio é parte da epistemologia, podendo ser
motivado pela exigência de máxima simplicidade de modelos cognitivos.
Entretanto, sua significatividade pode ser estendida à metafísica, se for
interpretada como dizer que modelos mais simples têm mais probabilidade de
estar corretos do que modelos complexos, ou, em outras palavras, que a
"natureza" prefere a simplicidade.
Extraído de :
http://members.xoom.virgilio.it/odialetico/filosofia/sobredeuses.htm
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